31.12.10

O GRANDE SALTO

No ultimo réveillon fui convidada para um evento fechadíssimo, desses que as pessoas tomam Veuve Clicquot que nem água de filtro, com direito a canapés com nomes pretensiosos e event design de Antonio Neves da Rocha. Não costumo ficar muito à vontade em ambientes luxuosos, confesso, mas, como eu andava louca pra estrear a Jimmy Choo que tinha ganhado no Natal, resolvi encarar o rega-bofe. A festa estava realmente sensacional, e de fato dava para se divertir bastante: a musica era boa, os hors d´oeuvres muito gostosos e os globais não muito afetados. Tudo nos conformes, não fosse minha inconformidade diante de tudo aquilo. Algo dentro de mim me mantinha distante daquele lugar deslumbrante, e eu não conseguia achar graça de absolutamente nada. Ainda assim, naquela noite, mesmo inquieta e incomodada, eu dancei em cima da minha sandália monumental até o dia clarear.

Desse jeito minha virada passou, e, em dois mil e dez, minha vida deu uma virada. Troquei o tailleur da Versace e a carreira jurídica por um uniforme de boxe e um palco vazio, larguei o príncipe encantado dos filmes da Disney por domingos angustiantes e cantadas idiotas. Pulei de “à vista” pra “parcelado”, de “muito prazer” pra “quem é você”, de “faz favor” pra “sim, senhor”. Eu joguei tudo no ventilador.

Em dois mil e dez eu enlouqueci, eu sumi, eu sucumbi. Sucumbi aos meus desejos, me entreguei à minha alma, fui sugada pelo meu peito, fiquei de cara com a verdade. A verdade, aliás, é um soco no estômago. Ela é como aquela chama do segundo Indiana Jones, que queima tuas entranhas para te acordar de uma ilusão. A verdade dói. E ela é fogo, parceiro.

Pois nesse ano que hoje termina eu me queimei até a última ponta, e não poderia estar mais em paz com isso. Hoje eu habito em mim mesma, e a minha intenção é que me move pra frente.

Eu ainda não tenho a menor idéia de onde vou passar a virada mais tarde. Posso passar de Jimmy Choo num rega-bofe ou de Havaianas numa praia, mas o que realmente importa é que, agora, eu tenho muita vontade de estar nos meus próprios sapatos.

Feliz dois mil e onze!!
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