17.12.09

Protesto Polido

Os chineses inventaram coisa pra caramba. Suas invenções estão entre as mais relevantes da história da humanidade, o que nos leva a crer, sem dúvida, que eles fizeram muita coisa bacana. Nós realmente devemos bastante a eles: bússola, papel, pólvora, chá, imprensa, e, meu favorito, o macarrão. Os caras eram muito criativos. Dinastia após dinastia, os amarelinhos esculachavam o resto do mundo com suas novidades, sempre admiráveis e proveitosas. Eles tavam mandando muito bem, até que um chinês idiota inventou o esmalte.

Depois que esse infeliz criou uma papa de mel de abelha, clara de ovo e cola, pintar a unha virou febre nos anos 600 D.C. : a galera cool usava os tons vermelhos, enquanto os reles súditos ficavam com os clarinhos. O novo must, uma releitura da hena usada por Nefertiti e Cleópatra em verões passados, vinha pra ficar.

Infelizmente a moda pegou mesmo. Ao longo dos séculos a gosma chinesa foi sendo aperfeiçoada na forma de um óleo lustroso que, com a chegada da tinta de automóvel, se transformou no glorioso verniz de unha, o esmalte. A gente nunca mais se livrou dessa praga.

Até hoje não me conformo em ter que passar esmalte toda semana. É um saco, custa dinheiro, dá trabalho. Sem contar que demoro horas pra me decidir entre os tons que tem por aí: “Deixa Beijar”, “Possessão Rosa”, “Toque de Ira” , “Obsessão”... Quem inventa esses nomes precisa conhecer um cara legal.

Deixo aqui , portanto, meu rancoroso protesto contra essa palhaçada de ter que estar sempre em dia com a manicure, na esperança de poder viver numa sociedade livre dessa maldição milenar.

Outro dia um menino pegou na minha mão e eu estava com uma das unhas sem esmalte. Na mesma hora recolhi meus dedinhos e, morrendo de vergonha, pensei : chinês filho da puta...
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